Mulheres indígenas chegam na reta final da caminhada de 2.000 km pela Argentina

Mulheres indígenas chegam na reta final da caminhada de 2.000 km pela Argentina, isso é importante pois grupos de mulheres indígenas do país empreendem uma caminhada desde o dia 14 de março em direção à cidade de Buenos Aires. Elas chegarão no dia 22 de maio na capital federal, dia da plurinacionalidade dos territórios. Para o bloco sul, a caminhada total será de cerca de 1.900km, e, para o bloco norte, 1.200km, segundo estimativas recentes das ativistas. Também partiram grupos do leste e oeste do país, reunindo mulheres de diferentes nações indígenas. "Caminhamos para propor que o terricídio seja considerado um crime de lesa humanidade e lesa natureza", afirmam, em comunicado. "Sabemos que não é o melhor momento para sair dos territórios. No entanto, se ficamos em casa, continuam nos matando." O conceito de terricídio foi criado pelo movimento de mulheres indígenas para englobar as diversas formas de assassinato das formas de vida. Trata-se de feminicídio, ecocídio

Hugo Pires: um botucatuense entre os cariocas pré-modernistas


O desenhista e jornalista Hugo de Avelar Pires nasceu em Botucatu no final do século 19 e na juventude frequentou a boemia carioca, dividindo mesa com representantes do pré-modernismo, entre eles o escritor Lima Barreto, que se tornou seu amigo pessoal.

Foi essa relação de amizade que imortalizou Pires como artista de relevância nacional. A caricatura assinada por ele em 1919, era considerada por Barreto como a sua mais fiel representação, naquele estilo.

Barreto passou a incorporar o desenho junto a alguns de seus principais lançamentos. Algumas vezes substituindo seu próprio retrato.

A relação de amizade começou no primeiro ano em que Pires passou longe de Botucatu, após a sua formatura na Escola Normal  (Atual EECA), em 1919. Ano em que assumiu a função de professor da Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.

Os anos em que viveu no Rio de Janeiro foi fundamental para a formação artística e literária de Pires retornou para Botucatu onde atuou como professor de desenho do nível secundário. Em 1928 foi efetivado como professor de desenho, preparador de química e física da Escola Normal.

No final dos anos 1930,  lecionou em Penápolis, o trabalho nesse município abriu caminho para o artista atuar em Tatuí onde assumiu a cadeira de professor de desenho.

Desenhista inquieto

Como deu para perceber, Hugo Pires era um profissional inquieto e essa inquietude era espelhada também em sua produção literária e artística, carreira paralela que ele mantinha com dedicação desde 1917, quando tinha apenas 20 anos.

Desde a juventude a arte e as letras foi um diferencial na vida social e profissional do artista, conquistou destaque em exposições pelas cidades onde morou e chamava bastante atenção, principalmente devido às caricaturas de figuras populares da época.

Em Botucatu, por exemplo, parte de sua obra em carvão pertence ao acervo do Centro Cultural de Botucatu, onde montou uma galeria com caricaturas dos poetas e escritores brasileiros.

Também existe registro de seus trabalhos no Instituto Santa Marcelina, antigo Ginásio Diocesano, Museu Histórico, Centro Brasil-Itália.

Em Tatuí seu trabalho consta no acervo do grupo Angelino de Oliveira, entre os trabalhos na Capital da Música constam os retratos de Carlos Gomes, Paulo Setúbal, Dom Pedro I, Santos Dumont e Dom José Carlos Aguirres.

Além disso suas obras se espalham em acervos variados nas cidades de Indaiatuba, Conchas e São Paulo, nessa última deixou retratos do padre Anchieta e do maestro Souza Lima.

Escritor vocacionado


O filho de José Arnold Paulino Pires e Adelaide da Silva Pires, despertou para as letras em 1910, quando aos 13 anos, lançou um jornalzinho manuscrito em forma de revista com 8 páginas, assinando como tipógrafo e ilustrador.

Hugo Pires começou a escrever crônicas e sonetos a partir de 1920. Nos três primeiros anos lançou sua produção na imprensa local, nos jornais: “Cidade de Botucatu”, A Folha”, “A Cruzada”.

Na década seguinte manteve participação em periódicos como “O Momento”, “Jornal de Notícias” e “O Apóstolo”. Fechando a década com as colunas Canto Boêmio e Sombrinhas Chinesas.

Por onde passou Pires deixou registro de sua produção cultural, principalmente no que diz respeito ao jornalismo das cidades de Penápolis e principalmente em Tatuí, onde foi redator da “Folha de Tatuí” assinando colunas de sucesso como “Bosquejos” e “Pastéis ao Vento”.

Pires também se utilizou de pseudônimos, como Bruno Góes, Macedo Lopes e Rosalina Muniz. O centenário de Botucatu, comemorado em 1956 foi um ano agitado. Inúmeras atividades, eventos e solenidades estavam programadas para aquele ano. Pires decidiu realizar sua homenagem À cidade lançando o livro “Fênix Memórias de um Botocudo Engravatado”.

O artista também deixou sua marca na música assinando em parceria com Reis e Almeida do hino “Canto à Minha Terra”, com música de Salim Kalil e partitura para piano do professor Aécio de Souza Salvador.

A família de Pires mantém o legado artístico, seus sobrinhos Marcos Mendes Maciel e Marcelo Maciel, se destacam entre artistas da cidade.

Marcos Mendes Maciel é um influente professor de desenho formado em artes pela Unesp de Bauru eseu irmão Marcelo é um músico talentoso com passagem pela Orquestra Sinfônica de Botucatu.

É de Marcos Maciel a voz da leitura do livro "Fênix - Memórias de um Botucudo Engravatado", que apresentamos abaixo em vídeo.


Legado literário

A bibliografia de Pires soma seis obras, compreendidas em dois anos.

• 1956 - Fênix - Memórias de um Botucudo Engravatado”;
• 1958 - “Suruíadas”, “A Musa Também se Diverte”, “Tristezas Não Pagam Dívida”, “Brincando com Botões” e “Ritmos Fora da Moda”;

Com, informações:
Dicionário dos Escritores Botucatuenses
Olavo Pinheiro Godoy

Familiares

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