Oficinas artísticas do SARAD contribuem para o recomeço de muitas vidas

Arte. Pequena palavra que pode ser entendida como uma habilidade dirigida para a execução de uma tarefa ou um conjunto de técnicas para a produção de objetos. Porém, no Serviço de Atenção e Referência em Álcool e Drogas (SARAD), essas quatro letras representam mais do que explicações teóricas: significam o recomeço na vida de muitas pessoas. Há cerca de dois anos, os pacientes da unidade vinculada ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) participam, semanalmente, de oficinas artísticas voltadas à marcenaria, à pintura, à escrita e à confecção artesanal de enfeites e objetos de decoração. As oficinas são acompanhadas pelas Enfermeiras Mariana Vulcano Neres e Patrícia Cristina Oliveira de Moraes e pela Técnica de Enfermagem Margareth Mendes Dantas que, além de realizarem o que a pioneira da Enfermagem moderna Florence Nightingale aponta como “a mais bela das artes”, investem parte de sua rotina também para aperfeiçoar as habilidades dos pacientes, em prol da

Detento do CPP I de Bauru vence concurso estadual de desenho

Detento do CPP I de Bauru vence concurso estadual de desenho


“Escola do futuro: igualdade”. Esse foi o tema da obra produzida pelo detento Estevão Roberto Jacinto dos Santos para o Concurso de Desenho 2021 - Educação Especial. A arte, que ilustra uma rotina escolar em que todos são tratados de forma igual apesar de suas limitações mentais ou físicas, foi a vencedora do torneio estadual na modalidade “Inclusão”. “Essa conquista me fez perceber que estou vivo e posso realizar outras coisas”, celebrou o interno do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) I “Dr. Alberto Brocchieri” de Bauru.


É a segunda vez que a unidade prisional participa do concurso promovido pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc), destinado aos estudantes dos ensinos Fundamental e Médio da rede pública estadual. Estevão comemora o triunfo, uma vez que os desenhos selecionados em cada categoria ilustrarão o documento da Política de Educação Especial do estado e ganharam exposição virtual com apresentação das artes finalistas e vencedoras.

CONCEITO

A iniciativa para inscrição no torneio surgiu da professora Rita Aparecida de Oliveira, que atua no CPP I de Bauru. Ela apresentou o edital aos alunos e 41 decidiram participar. Em princípio, Estevão não queria se inscrever, mas mudou de ideia ao se lembrar de uma tia acometida pela Síndrome de Down – quando a criança apresenta desenvolvimento físico, mental e intelectual mais lento que as demais.

“Então refleti sobre ela, pensei na medicina, em melhorias para as pessoas com deficiência e decidi fazer o meu desenho em cima desse conceito. Ser deficiente nos tempos atuais, diante de tanta tecnologia, contribui para diminuir as diferenças”, destaca o interno, que desenha desde criança, incentivado por um tio.

“Ao ver o meu desenho, podemos observar o deficiente participando de atividades antes não possíveis de serem vivenciadas. Pensei na igualdade de tratamento para todas as pessoas, independentemente de sua incapacitação e deficiência, e também na possibilidade de a ciência igualar as condições através da tecnologia medicinal”, detalha, ao explicar a sua obra.

EMPENHADO

Para a professora Rita, explorar o assunto leva os reeducandos a compreender as deficiências inseridas na Educação Especial, o respeito à diversidade e à vida em coletividade. “Minha motivação e visão como docente é que qualquer pessoa tem por obrigação contribuir para um mundo melhor e, para tanto, deve inspirar outras pessoas, independente de quem seja”, destaca.

Segundo o diretor do Centro de Trabalho e Educação (CTE) do CPP I de Bauru, Gilmar Henrique Fragozo, Estevão é um aluno bastante empenhado em suas atividades e demonstra interesse em mudar de vida. “Ao vencer o concurso, ele ficou ainda mais determinado nesta proposta de buscar nova atitude que o faça melhor do que quando veio para o presídio”, finaliza Fragozo.




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