Mulheres indígenas chegam na reta final da caminhada de 2.000 km pela Argentina

Mulheres indígenas chegam na reta final da caminhada de 2.000 km pela Argentina, isso é importante pois grupos de mulheres indígenas do país empreendem uma caminhada desde o dia 14 de março em direção à cidade de Buenos Aires. Elas chegarão no dia 22 de maio na capital federal, dia da plurinacionalidade dos territórios. Para o bloco sul, a caminhada total será de cerca de 1.900km, e, para o bloco norte, 1.200km, segundo estimativas recentes das ativistas. Também partiram grupos do leste e oeste do país, reunindo mulheres de diferentes nações indígenas. "Caminhamos para propor que o terricídio seja considerado um crime de lesa humanidade e lesa natureza", afirmam, em comunicado. "Sabemos que não é o melhor momento para sair dos territórios. No entanto, se ficamos em casa, continuam nos matando." O conceito de terricídio foi criado pelo movimento de mulheres indígenas para englobar as diversas formas de assassinato das formas de vida. Trata-se de feminicídio, ecocídio

Pandemia coloca escola diante da necessidade de explicar o luto

Pandemia coloca escola diante da necessidade de explicar o luto


A Pandemia colocou a escola diante da necessidade de explicar o luto, condição que abrange não somente as perdas de amigos e entes queridos, como também de outros processos não ligados à morte, como a inexistência ou perda de qualquer coisa que deixe de fazer parte das nossas vidas, de maneira repentina ou não.

A professora Cilene Rodrigues dá aulas de língua portuguesa na EMEF (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Dr. Professor Valter Paulino Estevão, em São Paulo (SP), que até poucos meses atrás se chamava CEU (Centro Educacional Unificado) Parque Anhanguera. O que fez o colégio mudar de nome foi a partida repentina de um dos colegas de Cilene, professor nessa mesma escola desde 2009. Ele morreu vítima de covid-19 em abril de 2020.

“Eu comecei o ano de 2020 com uma perspectiva de muitos projetos e, de repente, chegou esse vírus. O primeiro luto foi de uma perda de toda a atividade e rotina que tínhamos”, conta a professora. O segundo luto foi vivenciar a morte do colega de trabalho, que afetou Cilene e a comunidade escolar onde atua.

No momento em que o Brasil registra recordes de internações e vítimas, a temática do luto torna-se cada vez mais necessária de ser abordada em sala de aula. O luto abrange não somente as perdas de amigos e entes queridos, como também de outros processos não ligados à morte, como a inexistência ou perda de qualquer coisa que deixe de fazer parte das nossas vidas, de maneira repentina ou não. Um exemplo dessas perdas é a quebra de rotina ocasionada pela pandemia, citada pela professora Cilene.

O contexto atual, inclusive, colocou a todos em um luto coletivo, que existe sempre que há um senso de pertencimento, como explica a psicóloga Maria Helena Pereira Franco, autora do livro “O luto no século 21“. Ela destaca que é necessário que sejam criados espaços para tratar do tema, e defende que é possível falar sobre o assunto com crianças e adolescentes, além de explorar criativamente maneiras de inserir o tema em aula, como fazendo uso da arte, da literatura e da poesia, por exemplo.

E pode acontecer da sala de aula cobrar antes mesmo que o professor tenha desenhado uma estratégia para tratar do tema. “Com o número de mortos que temos no nosso país, nenhuma escola está livre de conversar sobre esse assunto”, diz Valéria Tinoco, psicóloga e cofundadora do Instituto Quatro Estações. Ela participa este mês do Clube Porvir, plano de assinatura para professores que durante o mês de abril discute a temática do luto em sala de aula.

Outro ponto que merece atenção por parte do educador tem a ver com a impossibilidade, diante do período de isolamento, de cumprir certos rituais importantes para a compreensão dos seus sentimentos e do momento que estão vivendo. “As perdas vividas por um coletivo podem e devem ser enfrentadas usando esse coletivo. É muito importante que seja feito algo que marque, uma homenagem que valorize a vida daquela pessoa. Nesse contexto coletivo, vamos ter pessoas mais próximas e outras não tão próximas da pessoa que morreu. Talvez as mais próximas possam ajudar a construir esse ritual coletivo com ideias”, destaca Tinoco.

Algo semelhante aconteceu com o professor Luis Mauro Sá Martino, que dá aulas de comunicação na Faculdade Cásper Líbero. Luis recentemente sofreu a perda de uma de suas alunas, que foi vítima de suicídio no ano passado. O caso abalou toda a turma, que se mobilizou para uma homenagem online da qual o educador também participou.

“Nós somos o único ser com consciência de que tudo vai acabar. [A morte] Chama atenção quando ela vem de maneira inesperada. Eu como professor me sentiria um pouco omisso se não tematizasse. Acho importante comentar que aconteceu, que estamos tristes e tirar um pouco do tabu. A gente só consegue seguir em frente quando falamos e somos ouvidos”, disse.

Ele também reforça que é importante criar espaços de conversa, onde os estudantes possam se expressar livremente e que isso sirva como um tipo de acolhimento para a turma.

No caso da professora Cilene, o suporte dado pela escola é lembrado por ela como um fator que colaborou para que pudesse elaborar melhor o luto, já que a instituição contratou uma equipe de psicólogos para atender o corpo docente. A cada quinze dias havia terapia em grupo para que os professores pudessem lidar com a questão.

O limite para abordar o assunto

Segundo a psicóloga Maria Helena Pereira Franco, os limites para tratar o tema aparecem de acordo com as perguntas suscitadas pelos alunos. “Com os pequenininhos eu defendo sempre que se informe com as palavras reais, porque a criança vai pensar, juntar com as informações que ela já tem e, se surgir uma pergunta, vai ser muito bom, pois é um jeito de acessar como ela está pensando e entendendo”, explica a psicóloga.

Alguns limites dizem respeito a questões religiosas, aponta Franco. “Como educador, não se pode dirigir o pensamento do aluno, seja qual for a sua religião. O professor vai falar sobre o fato. Vai falar que existem diversas religiões, diversas formas de entender, e isto posto, acompanhar a compreensão do aluno”.

Além de proporcionar esses locais de escuta, a autora sugere que os educadores não deem conselhos como “Você é forte” ou “Pare de chorar, já está na hora de você ficar bem”. Cada pessoa vivencia um período diferente de enlutamento e os educadores precisam estar atentos também a isso, ficando sensíveis também aos momentos em que o estudante não quer falar a respeito.

Da Agência Porvir

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