Traficantes são presos no Santa Elisa no portão da boca de fumo

Uma dupla de traficantes foi presa na noite de ontem, no portão da boca de fumo do Santa Elisa, com maconha, crack, cocaína e dinheiro. A captura dos marginais foi feita por Policiais da Força Tática da Polícia Militar, que avistaram os dois suspeitos ao longe e perceberam que um deles ao avistar a viatura correu para o fundo do imóvel. Enquanto um dos policiais abordava um dos indivíduos no portão, o outro agente da lei conseguiu identificar que o segundo suspeito jogou uma sacola no próprio quintal. Ao verificar o que havia na sacola, os policiais não ficaram surpresos ao constatar que trata-se de 66 porções de crack prontas para a venda. Na busca pessoal os agentes encontraram com um dos traficantes mais 5 porções de crack, 3 porções de maconha, uma porção de cocaína, além de R$ 222 em dinheiro.  A dupla recebeu voz de prisão e foram conduzidos ao Plantão Policial onde foi confeccionado um Boletim de Ocorrência (B.O)  como tráfico de drogas. A dupla agora está presa à disposição

O Milagre de Vitoriana o Dia em que uma hóstia virou sangue; ou não...

Em meados da década que abriu os anos  2000 cheguei na redação do jornal em que trabalhava para mais um dia de labuta e como de costume não tinha ideia do que aconteceria durante o dia e sobre o que escreveria em forma de notícia.

Como sempre ocorria havia sido o primeiro a chegar, e assim que me sentei o fotógrafo entrou na sala com uma história espetacular. Uma fiel católica da comunidade de Vitoriana, distrito de Botucatu, havia presenciado uma hóstia virar sangue.

Entramos correndo na viatura do jornal e fomos a mais de 100 por hora para o distrito, chegando lá, fomos até a igreja e não encontramos a senhora. Percorremos o pequeno distrito, que era formado basicamente por apenas uma rua, até encontrarmos o rancho em que a fiel vivia com a família.

Em sua casa ela explicou que trabalhava voluntariamente na limpeza da igreja e que fazia isso três vezes por semana. O fotógrafo começou a me cutucar com os cotovelos e logo entendi que para a história realmente poder ser contada e ilustrada com belas fotografias era fundamental irmos até a igreja para que fizéssemos uma reconstituição do caso.

Fomos até o templo e a senhora nos levou até a sacristia e começou a refazer a manhã de seu dia anterior.

Ela estava limpando a sacristia quando encontrou no chão uma hóstia, ela recolheu essa hóstia fez o sinal da luz e colocou sobre a mesa, em seguida fez o sinal da cruz novamente e foi para outro cômodo prosseguir com a limpeza, foi então que ela ouviu um forte barulho, voltou para sacristia e a hóstia estava novamente no chão.

Então pegou um copo plástico encheu de água e colocou o objeto santo naquele recipiente em seguida posicionou o copo em local alto, sobre uma geladeira, prosseguiu com a limpeza e minutos depois retornou para a sacristia e agora a água no copo estava em tom avermelhado.

Perguntamos se não havia a possibilidade de outra pessoa ter entrado no recinto e ela explicou que mantinha a porta fechada, e que a sua companheira de trabalho estava ocupada na limpeza dos bancos do santuário.

O fotógrafo que era bastante religioso questionou se ela não havia levado aquele material para alguma autoridade religiosa analisar e disse que ainda não, revelando ainda que havia guardado o copo e todo o material, pois não poderia jogar fora o corpo de Cristo.

Ela nos confiou o estranho líquido para que encaminhássemos às autoridades competentes. Ficamos eufóricos de repente tínhamos em mãos uma história surpreendente e espetacular, com provas, gravações, imagens, enfim, uma história completa.

Voltamos para a cidade com o carro percorrendo a estrada a 20 quilômetros por hora. Em minhas mãos o copo com o estranho líquido vermelho, a cada buraco o fotógrafo reduzia ainda mais a velocidade, aquele líquido era sagrado e importante, tinha que ser analisado.

Chegamos a uma entidade que atende crianças carentes da cidade e que era lar de vários religiosos aposentados. Nos encontramos com o arcebispo emérito, a maior autoridade religiosa da cidade e contamos a história, ele ouviu atentamente e perguntou se havíamos visto o copo, entregamos o material e ele sem pestanejar jogou o conteúdo em um vaso de flores e jogou o copo no lixo.

- Isso é bobagem, é coisa desses carismáticos que querem chamar a atenção – Disse o religioso. Olhei para o fotógrafo, o fotógrafo olhou para mim e não sabíamos o que fazer ou o que falar.

Paramos a entrevista ali, fiquei bastante decepcionado com a postura do religioso. Por mais que ele não acredite, por mais que eu duvidasse daquilo, por mais que a possibilidade de sangue fosse remota, aquele material precisava ser analisado.

Era uma obrigação, afinal de contas: e se a história fosse real, e se aquele conteúdo realmente fosse sangue.

Naquele momento perdi a minha esperança na religião e percebi que nenhum milagre estará acima da politicagem religiosa. Era inadmissível qualquer possibilidade de milagre em um segmento religioso que seguisse um dogma alternativo às da autoridades máximas da igreja.

Voltei para a redação escrevi a história, relatei todo o corrido e nunca mais voltei a falar desse assunto. Perdi a fé na religião naquele momento.
Renato Fernandes

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