Exposição “Birds na Pina - Aves de Botucatu” já está aberta para visitação

A exposição de fotografias “Birds na Pina” já está aberta ao público. Os visitantes poderão contemplar imagens de cerca de 70 espécies de aves que vivem em Botucatu, registradas por diversos fotógrafos. Promovida pela Secretaria Adjunta de Turismo, a exposição oferece aos seus visitantes experiências interessantes, como uma mostra de comedouros caseiros, vídeos sobre o tema e cantos de aves disponíveis no espaço audiovisual, jogo da memória exclusivo, painéis sobre os biomas locais e tótens de pássaros gigantes. Quem passar por lá também poderá vivenciar a experiência de entrar em uma gaiola humana, e participar de oficinas, passarinhadas, rodas de conversa, visitas guiadas, contações de histórias e encontros com os fotógrafos e outros convidados. No próximo sábado, dia 30, às 11h30, no espaço da exposição, será feito o lançamento do “Guia de aves da Demétria 2”, de Gersony Jovchelevich, que apresenta 76 novas espécies locais, todas ilustradas com fotos e breves informações para facil

A arte de benzer: imaginário popular e as curas facilitadas pela fé nos tempos atuais


Tradicionalmente sempre se ouviu falar sobre homens e mulheres que com a força de seus rezos, mezinhas e várias práticas combinadas auxiliam as pessoas que os procuram, conseguindo diminuir os males que os afligem, sejam estes físicos, psicológicos ou espirituais.

Muito presente na cultura cristã, a figura do benzedor representa na verdade um mosaico de crenças cujas origens se perdem no tempo. Essas crenças estabelecem um elo com o grande mistério, e só conseguiram sobreviver por serem oriundas do mais puro propósito: curar e desejar o bem do próximo.

Conhecimentos ancestrais de tratamentos com ervas, banhos, emplastros, escalda-pés, as fases da lua e suas implicações, as estações do ano e suas peculiaridades, cantos e até a utilização de magia simpática fazem parte do arsenal de instrumentos que podem ser utilizados.

Após um período de invalidação e descrença, atualmente existe um movimento que procura resgatar os valores, princípios e prática do benzimento.

Não é raro que incorporem ao seu arsenal elementos contemporâneos próprios das terapias alternativas e complementares. Independente de religião, fé e a intenção de aliviar as mazelas fazem do benzedor a personificação do ouvinte receptivo, amoroso e bem intencionado.

Isso é muitas vezes suficiente. Proporcionar a oportunidade para que as pessoas se abram, verbalizem o que as aflige, exteriorizando as queixas, sem medo de julgamento, podendo buscar conselhos imparciais, alternativas e estratégias para se sentir melhor.

O fio que liga uma pessoa qualquer a sua fé, ao que faz sentido como real e divino é muito individual, particular. Tem a ver com toda a construção da sociedade e da cultura que ela mesma elegeu. Por isso, a eficiência do tratamento depende da sensibilidade e da interação entre o benzedor e o seu “paciente”. Tem que se estabelecer uma relação de confiança e respeito, mesmo que a fé do benzedor seja diferente da sua. Uma dinâmica de admiração, surpresa ou até certo mistério, que nos permita aceitar e acreditar que a interferência da boa intenção canalizada irá nos ajudar.

Uma marca registradas dos bentos autênticos é a humildade e responsabilidade em saber os seus limites de atuação. Ouvem as queixas e, quando acham que não dão conta, aconselham a busca de serviços especializados, sejam estes médicos ou espirituais, e, acima de tudo, reconhecem que “eu te benzo, mas é Deus quem te cura”.

Esse é o compromisso: ser como um cano, onde as bênçãos de Deus podem escoar e tocar os irmãos. Para que as pessoas possam acreditar nesta relação desinteressada, a consideração é o crédito. Sua vida e seu caminhar, o exemplo são imprescindíveis para atingir seu intento benfazejo.

Somos seres humanos, falhos e pequenininhos, sujeitos a todo tipo de tentação. Mesmo a água mais pura, quando passa por um cano sujo se contamina. Por isso, quem se propõe a prática de benzimento deve estar atento primeiramente para a bênção que é viver bem.

Para as armadilhas do ego não desviarem o propósito, precisamos reconhecer nossas falhas e agradecer, até mesmo pelas dificuldades. “Orai e vigiai”. Quem ouve o chamado de ser um bento, deve atentar para que seu comportamento não cause vexame, suas ações não o coloquem propositalmente em contato com energias densas. É um compromisso com algo intangível, mais forte que os vínculos familiares e sociais.

Na minha maneira de pensar, o “bem dizer” é uma manifestação que só é possível quando existe no indivíduo a verdadeira intenção de ajudar o outro, sem julgamento e sem esperar nada em troca. Somente livres preconceito e com o coração e a mente abertos para intuir o que for necessário para facilitar a reconstrução da ponte entre a pessoa que pede e a mente superior é que podemos proferir bênçãos. (Nem que para isso tenha que lançar mão de artifícios estranhos e sem sentido lógico ou prático).

Mais que uma habilidade aprendida, é um permitir-se sentir e expressar o que a pessoa necessita pra se lembrar que qualquer mau só surge no nosso caminho quando acreditamos nele e damos força. Lembrar também que a força criadora, a qual chamamos de Deus, está em tudo, e que ele atende quando pedimos, basta que tenhamos fé.

Francamente, em se tratando de energias sutis, ninguém tem certeza de nada! Não podemos atestar pelos nossos limitados sentidos, com o que está lidando, qual a origem do desequilíbrio que causa doenças e mal estar. 

Resta então confiar no sentir: o bem é bom, o mau é ruim. Simples assim, por isso não precisa ser intelectual ou fielmente doutrinado. Basta estar aberto e disponível para sentir...
Na verdade, a religião do bento é o amor. Toda religião e forma de explicar o sagrado passa por rotulações e experiências pessoais e doutrinação. O amor está ali também, mas não se limita a qualquer visão, nenhuma alcança ou consegue explicar o que se sente em estado de amor pleno, comunhão com o grande espírito criador.

Caminhe seus rezos, acordem, o amor é o caminho!

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Benzedeira do movimento “Despertar das Benzedeiras” Julho/2019.

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