Frei Fidélis o pesquisador que desvendou as Três Pedras


Afinal de Contas quem foi Frei Fidélis? Figura de destaque na história botucatuense por conta de seus estudos sobre a língua suméria, povoação das Américas e principalmente quando se trata das misteriosas Três Pedras, da região de Bofete.

Fidélis nasceu na Itália, no dia 6 de janeiro de 1885, na cidade de Primiero e foi batizado com o nome de Bernardo Mott, mudou seu nome para Fidélis Maria de Primiero após seguir carreira religiosa.

No passado, seus estudos ganharam notoriedade em todo o Brasil. Artigos e entrevistas eram publicados com frequência em jornais como a “Folha da Manhã” (atual Folha de São Paulo), “Diário da Noite”, revista “O Cruzeiro”, “Folha de Botucatu” e “Correio de Botucatu”.

Fidélis tinha uma opinião peculiar sobre a formação rochosa Três Pedras e seus arredores. Ele defendia a tese de ela eram templos construídos e admirados pelos Filhos de Deus ou o Culto Branco, em contraponto existiam também o Culto Negro ou os filhos de Satã.

Porém, a história de Fidélis vai muito além de seus estudos. O religioso era descendente de judeu e imigrou para o Brasil com a família ainda nos primeiros dias de vida.

Assumiu a vocação religiosa ainda jovem, aos onze anos, quando ingressou no seminário Capuchinhos de Piracicaba, em 1896.

No dia 16 de junho em 1907, aos 22 anos de idade, foi ordenado sacerdote na Catedral da Sé de São Paulo.  Ao mesmo tempo passou a exercer cargos significativos na ordem capuchinha, como professor do Seminário e diretor das revistas “La Squila” e Anais Franciscanos”.

Foi também guardião de Conventos, chegando à função de Custódio Provincial, ou seja, o cargo mais elevado dentro da província capuchinha de São Paulo.


Fidélis chegou em Botucatu aos 67 anos de idade

Foi transferido para o Santuário de Nossa Senhora de Lourdes em 1952, aos 67 anos e foi aqui que realizou a maior parte de suas pesquisas referentes ao idioma sumério. Seu trabalho resultou em um dicionário Sumério / Português.

Fidélis era um linguista dedicado, conhecia vários idiomas, entre eles o Hebraico, Grego, Latim, Tupi-Guarani e línguas neolatinas.

Tomando como base evidências linguísticas, o religioso defendia que os primeiros habitantes da América foram os Sumérios e que falavam a língua Suméria.  Portanto, como a raça estava instalada em todo o Estado seria comum que houvessem templos em vários pontos do território.

Traçou paralelos entre os idiomas Tupi-Guarani e o Sumério, reinterpretando o nome de várias cidades, trazendo um significado diferente. Em tupi, BYTY-CATU significa “ares-bons” em sumério, BOT-UK-AT-U seria “templo ou fortaleza da serpente no meio de pedras”, ou “santuário onde a Serpente se estende sobre a pedra”; Porangaba – POR-AN-GAB-A: “templo da Serpente à esquerda da serra”; Bofete – BO-FE-TE: “região dos cantores negros”; Anhembi – AN-HEM-BY, “templo de culto negro” e o próprio rio Tietê TI-E-TE- “rio do templo negro”.

Dessa forma demonstrou que os nomes de algumas cidades do interior de São Paulo tinham na verdade origem Suméria

Frei Fidélis faleceu aos 83 anos de idade no dia 19 de fevereiro de 1968 no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, vindo a ser sepultado no Cemitério Portal das Cruzes. Em 2009 seu corpo foi transladado para outro local.

Fidélis foi professor de filosofia e teologia e escreveu “Capuchinhos em TErra de Santa Cruz” (em parceria com Frei Modesto de Taubaté, em 1942), “Os Missionários Capuchinhos no Brasil", (também com colaboração de Frei Modesto, 1929), fomos e somos a Atlântida, América pré-histórica e Hércules.

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